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O caso “ditabranda”

February 25, 2009 · 3 Comments

Foi um sentimento meio paradoxal quando li em mais de dois blogs da minha blogroll sobre o caso ditabranda. O lado bom desse sentimento foi ver, de certa forma, o amadurecimento da blogosfera nacional, que é muito mais do que aquela umbigosfera que vive para atrair link e pagerank, e que há uma preocupação em trazer ao conhecimento público, pelo menos daqueles que os lêem, fatos e acontecimentos relevantes e sucitar discussões que nos façam sentir humanos.

O lado ruim é que o cerne da questão é justamente a velha e desonrada mídia brasileira, figurinha repetida cá neste humilde blog. Em poucas palavras, o fato da vez foi que a Folha, em um dos editoriais sobre a vitória da emenda chavista na Venezuela, amenizou a ditadura brasileira ao caracterizá-la de ditabranda. Posto isso, alguns historiadores mega renomados argumentaram que o jornal — no caso, o autor do editorial — se equivocou e que em nenhum momento da história a nossa ditadura fora denominada e nem teve propriedades de ditabranda.

A Folha, mui sensata e imparcial, classifcou os historiadores e seus apontamentos como “cínicos e mentirosos”. Isso foi mais que suficiente — e não sem razão — para enaltecer os ânimos de muitos historiadores que neste caso não estão defendendo apenas uma categoria, mas sim a integridade dos fatos — trabalho este que, a princípio, deveria ser exercido pela própria imprensa.

Foi o que aconteceu com Idelber Avelar, que além de esclarecer o que ditabranda significa — e que tem toda a notoriedade para –, aproveitou a situação e soltou o verbo contra a mídia nacional, seja Frias, Marinhos ou Civita. Quem também fez questão de falar sobre, e o fez com muita sensatez e presteza, foi Hugo Albuquerque no post “A Folha e a ditabranda” — que, por “incrível coincidência” havia postado uns dias antes “A caduquice precoce da imprensa“, vindo, infelizmente, só a complementar a discussão sobre a precariedade da nossa imprensa. Todos os links de imperdível leitura, a quem interessar possa.

// Em tempo, para ler o editorial que começou toda essa discussão, a carta dos professores à Folha e a resposta super educada do jornal, está tudo aqui.

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February 21, 2009 · 1 Comment

Alguns artigos/matérias/blog posts que li nessa semana e que, a meu ver, valem ser compartilhados. Em ordem aleatória

1. Samuel Palmisano, chairman da IBM, escreve no FT sobre a urgência não apenas de planos bilionários, mas sim de soluções inteligentes para a crise. Aqui.

2. É do saber de todos que Alan Greenspan perdeu bastante com essa crise, não digo em termos fiduciários, mas em notoriedade e prestígio no meio financeiro. Porém, ainda é o Greenspan. E anda dizendo por aí, contrariando todas as expectativas, que a estatização dos bancos pode ser a solução “menos ruim” do momento. O ex-presidente do Fed disse isso em uma entrevista ao FT, que também pode ser lida com comentários no Free Exchange ou na versão em português do Portal Exame.

3a. Desde que foi publicado em mídia nacional que o Brasil é campeão dos spreads bancários, a Febraban e seu presidente, Fábio Barbosa, têm trabalhado feito porcos para se justificarem. Aí eu me deparo com dois blog posts sobre o mesmo tema mas com abordagens um pouco diferentes. O primeiro é do José Paulo Kupfer que defende a explicação de Barbosa — com todo o cuidado para não defender os interesses dos bancos — e acusa o BC, dentre outras coisas, de oportunista ao posar como herói responsável pela consistência do nosso sistema bancário/financeiro diante da crise mundial quando a verdade não é bem essa. A explicação detalhada aqui.

3b. O outro é da Mirian Leitão, jornalista que de vez em quando se acha na posição de comentar assuntos que fogem ao seu labor. Em uma entrevista fraca, cai na mesmice de criticar Governo, BC e bancos. Olha o nosso jornalismo aí.

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Sobre o caso Paula Oliveira

February 20, 2009 · Leave a Comment

É tão bonito ver os jornais se retratando com o público após dar um furo que, aparentemente, não existiu. Das coberturas que acompanhei, a única que vale o clique é a do Sérgio Leo que desde o início enfatizou a parcimoniosidade do ministro Celso Amorim em procurar, antes de afirmar qualquer coisa e fazer julgamentos, apurar os fatos. A mídia em geral não entendeu, o que não é de se surpreender, e quando não colocaram palavras na boca do Ministro, o acusaram de descaso. Agora ficam aí procurando culpados e colocando supostos onde outrora eram fatos.

A Folha é insistente e procura chifre na cabeça de cavalos, como diria meu tio. Hoje publicou, logo abaixo da matéria em que dizia que o passaporte da brasileira fora bloqueado pela Suiça, que a revista onde foi noticiado que a brasileira teria admitido que tudo foi armação, é de propriedade de um alto escalão do SVP. O jornal parte do princípio que a mídia suíça é tão imparcial quanto a nossa.

Não estou defendendo aqui a revista, ou o partido, muito menos acusando a brasileira. O que procuro destacar é,com tudo isso, o que se pode observar é que nossa imprensa ainda é imatura e inconsequente. Que procura fazer pré-julgamentos de supostos quando tudo o que deveria fazer é apurar os fatos. Pelo menos já estão se ‘desculpando’, quero acreditar que isso seja um avanço.

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Nerd não está e nem é moda, embora isso na língua inglesa não faça a menor diferença.

March 15, 2008 · 2 Comments

Reparei hoje na Zero Hora de ontem a seguinte chamada na capa:

Os nerds dominarão o mundo!


Parei o que estava fazendo e fui ler o que o jornal dizia sobre. Qual não foi minha surpresa, choveu no molhado falando que o estereótipo de nerd já não é mais ridículo como era outrora, e que agora ser nerd está na moda. Totalmente decepcionante! Já não era de se esperar muito, visto que a matéria estava no caderno “Kzuka”, uma espécie de folhateen do Zero Hora. Pior ainda, o jornal entrevista uma atriz global teen que aparece em alguma novela importante (não perdi meu tempo decorando nomes) que diz ser nerd. O erro capital: nerds não assistem novelas.

O jornal peca ainda ao tentar explicar como ser um nerd, ou melhor, como se vestir como um nerd: camisetas listradas (!!!) ou com estampas engraçadas, óculos retangulares de armação grossa, iPods, all stars, et cetera. Como se para ser nerd bastasse vestir-se como tal.

Dois erros grosseiros:

i) nerd não é uma moda ou tendência, é um estilo de ser, de viver: a lifestyle!

ii) aquele estereótipo de nerd com óculos fundo-de-garrafa que vive encavernados em livros sem nenhuma vida social, não duvido que ainda existam nos laboratórios de física, matemática, química de Oxford, Havard ou Stanford. Esse novo estilo em franca ascenção a que a matéria se refere, é denominado Geek, um termo menos conhecido (muito provavelmente conhecido apenas entre os próprios) que nada mais é do que uma espécie de variação/evolução do nerd.

Por evoluído, entenda-se, “socialmente evoluído”. Geeks são aqueles que além de suas atividades corriqueiras, lêem vários bons livros em um ano, não venera blockbusters, procura ter um visual descolado e ainda consegue/procura ter uma vida social saudável — este último, algo muito difícil de se ver em nerds autênticos.

Lendo a matéria, me lembrei de “A Sociedade Pós-Capitalista”, um livro do Peter Drucker que li no início desse ano (e que fiz um quase review no início deste blog). Lá, o autor enfatiza que a nova sociedade será totalmente voltada para o conhecimento e que, como na era capitalista os que estavam no topo da sociedade eram os portadores de capital (bancários, industriais, latifundiários e afins), nesta nova sociedade so-called pós-capitalista, esta posição será ocupada pelos portadores de conhecimento.

E se tem algo que caracteriza perfeitamente um geek/nerd é isso: a incansável busca pelo conhecimento. Que tem a Wikipedia como a Meca e o Google como oráculo.

Como já disse Fábio Seixas: “Não sei se os geeks vão dominar o mundo, mas com certeza irão mostrar o caminho.”

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Telejornalismo da TV aberta, shame on you

March 2, 2008 · 1 Comment

Assisti na última quinta [28.02] pela primeira (e muito provavelmente última) vez “SBT Brasil”, um telejornal das 20h que passa às 21h. Um formato muito parecido com o Jornal Nacional, mas com apenas um âncora: Carlos Nascimento. Que aliás, se acha engraçado e esperto o suficiente para tecer comentários à la Boris Casoy.

Em um desses comentários, de uma matéria sobre aniversariantes em 29.12 (muito original, huh?!) o entrevistado “recebe” um presente especial do patrão — férias — e Nascimento arremata: “Ainda bem que o pagamento não é no último dia do mês”. Ora, ora, Carlos Nascimento, todo mês têm um último dia, seja ele 28, 29, 30 ou 31. E este não foi o único comentário que me desagradou.

Aliás, o jornalismo na TV aberta do Brasil há muito tem me desapontado. E refiro-me aqui ao de cadeia nacional, porque os regionais não são dignos nem de conceituação. Pelo menos, não os daqui. Percebe-se um tentativa (ênfase em *tentativa*) de fazer um jornalismo “engraçado” ou até mesmo “carismático”, quando tudo o que tinham que fazer era informar. Pode-se até traçar alguns perfis para os quais os jornais são designados.

Jornal Hoje: Típico jornal para dona-de-casa com uma renda limitada que deseja fazer maravilhas com seu dinheirinho. Com frequência dão dicas de culinária e sempre estão atentos a sazonalidades. Você já deve ter escutado por exemplo, notícias do tipo “como economizar na sua ceia de natal”, ou ” como economizar na sua ceia de páscoa, ou “como economizar na compra de material escolar dos seus filhos” e assim por diante. Não faltam os especialistas para dizerem coisas óbvias.

Jornal Nacional: Típico jornal para pedreiro, ou para aquele trabalhador exausto após um dia de trabalho que senta à mesa com sua família para a janta enquanto vê o que aconteceu no Brasil e no mundo aquele dia. Eu imagino um público-alvo sem muita instrução pois sempre repetem o conceito de PIB e esclarecem se certos indicadores econômicos é melhor mais alto ou mais baixo.

Bom Dia Brasil: Este não consegui definir bem um público-alvo bem definido, mas para trabalhadores em geral, com mais instrução que os do JN, que acordam cedo e querem saber como o país acordou, com informações sobre o tempo e tráfego. Não se prende muito a política e economia, embora tenha muitas reportagens boas sobre.

Jornal da Globo: Basicamente política e economia, sendo assim seu público-alvo aqueles que se interessam sobre. Com matérias muito bem produzidas, explora as várias áreas da economia, não apenas o business e mercado financeiro, mas também políticas econômicas, seja lá fiscais, monetárias ou industriais. Dá uma excelente cobertura sobre o cenário político do país e do mundo, embora, a meu ver, perdeu muito com a saída do Franklin Martins.

É claro que esses comentários são apenas abstrações caricaturizadas, mas caricaturas só fazem sentido quando entendidas, e se entendidas, no mínimo se assemelham a realidade.

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