Telejornalismo da TV aberta, shame on you

Assisti na última quinta [28.02] pela primeira (e muito provavelmente última) vez “SBT Brasil”, um telejornal das 20h que passa às 21h. Um formato muito parecido com o Jornal Nacional, mas com apenas um âncora: Carlos Nascimento. Que aliás, se acha engraçado e esperto o suficiente para tecer comentários à la Boris Casoy.

Em um desses comentários, de uma matéria sobre aniversariantes em 29.12 (muito original, huh?!) o entrevistado “recebe” um presente especial do patrão — férias — e Nascimento arremata: “Ainda bem que o pagamento não é no último dia do mês”. Ora, ora, Carlos Nascimento, todo mês têm um último dia, seja ele 28, 29, 30 ou 31. E este não foi o único comentário que me desagradou.

Aliás, o jornalismo na TV aberta do Brasil há muito tem me desapontado. E refiro-me aqui ao de cadeia nacional, porque os regionais não são dignos nem de conceituação. Pelo menos, não os daqui. Percebe-se um tentativa (ênfase em *tentativa*) de fazer um jornalismo “engraçado” ou até mesmo “carismático”, quando tudo o que tinham que fazer era informar. Pode-se até traçar alguns perfis para os quais os jornais são designados.

Jornal Hoje: Típico jornal para dona-de-casa com uma renda limitada que deseja fazer maravilhas com seu dinheirinho. Com frequência dão dicas de culinária e sempre estão atentos a sazonalidades. Você já deve ter escutado por exemplo, notícias do tipo “como economizar na sua ceia de natal”, ou ” como economizar na sua ceia de páscoa, ou “como economizar na compra de material escolar dos seus filhos” e assim por diante. Não faltam os especialistas para dizerem coisas óbvias.

Jornal Nacional: Típico jornal para pedreiro, ou para aquele trabalhador exausto após um dia de trabalho que senta à mesa com sua família para a janta enquanto vê o que aconteceu no Brasil e no mundo aquele dia. Eu imagino um público-alvo sem muita instrução pois sempre repetem o conceito de PIB e esclarecem se certos indicadores econômicos é melhor mais alto ou mais baixo.

Bom Dia Brasil: Este não consegui definir bem um público-alvo bem definido, mas para trabalhadores em geral, com mais instrução que os do JN, que acordam cedo e querem saber como o país acordou, com informações sobre o tempo e tráfego. Não se prende muito a política e economia, embora tenha muitas reportagens boas sobre.

Jornal da Globo: Basicamente política e economia, sendo assim seu público-alvo aqueles que se interessam sobre. Com matérias muito bem produzidas, explora as várias áreas da economia, não apenas o business e mercado financeiro, mas também políticas econômicas, seja lá fiscais, monetárias ou industriais. Dá uma excelente cobertura sobre o cenário político do país e do mundo, embora, a meu ver, perdeu muito com a saída do Franklin Martins.

É claro que esses comentários são apenas abstrações caricaturizadas, mas caricaturas só fazem sentido quando entendidas, e se entendidas, no mínimo se assemelham a realidade.

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One response to “Telejornalismo da TV aberta, shame on you

  1. Assinei! Afinal, grátis até injeção na testa! 😀

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