Twitter is down, a corrida pelo seu substituto, um case e o eterno retorno.

Mais um para série: posts cujo o título é quase maior que o texto.
Talvez seria interessante avisar que para um compreensão legal do post abaixo, seria desejável o leitor estar ambientado a microblogging e quetais. No entanto, acredito que seria interessantíssimo saber qual a impressão que um “leigo” no assunto teria ao lê-lo. Alguém se propõe?

Twitter is down
O Twitter, já bastante comentado por aqui, anda meio mal das pernas ultimamente. Várias vezes ao dia o serviço de microblogging mais popular do mundo acaba saindo do ar causando descontentamento e irritação a muitos. A causa é simples, senão óbvia: cresceu além do que sua infra-estrutura permitia. Alguns que se dizem entendidos alegam que na verdade, o problema do Twitter é que Ruby-on-Rails (“plataforma” em que o Twitter foi desenvolvido) não escala. Essa discussão eu deixo para os especialistas.

A corrida pelo seu substituto
Fato é que com as constantes quedas, os twitteiros de plantão começaram a buscar um outro serviço de microblog para substituir o twitter. Alternativas não faltam, @gpavoni listou mais de 220 sites que fornecem, senão o mesmo serviço, o equivalente (o que mais me chama a atenção são os nomes!).

Os dois até então mais cotados eram Jaiku e Pownce. Jaiku pelo fato de ter o Google por trás, e nada mais do que isso, e o Pownce por ser mais completo permitindo além de posts maiores que 140 cc, também permite postar fotos e compartilhar músicas. No entanto, pecam na mobilidade, o grande diferencial do Twitter, e a meu ver, o grande responsável pelo seu crescimento exponencial. Ora, uma web app que se pode usar a partir de sua web page, de seus vários clients — tanto para desktops quanto para celulares –, de extensões para Firefox, do seu IM ou até mesmo do seu celular via SMS, tudo isso com uma interface super simples em que tudo que você precisa saber é responder a pergunta “o que você está fazendo?”, mais que justifica sua explosão de usuários.

Porém, quando o assunto muda para sustentabilidade, o Twitter perde para os dois. Tanto o Jaiku quanto o Pownce apresentam modelos no mínimo satisfatórios. O primeiro, nada mais óbvio, com banners AdSense, o segundo, com esquema de contas pró que aumenta sua capacidade de upload e permite uma customização maior de sua página. O Twitter, com exceção no Japão, é totalmente ads-free e ouso dizer que não funcionaria com sistemas de contas pró.

Um case para lá de interessante
E é aí que mora um case mega interessante. De um lado uma web app que se preocupou primeiro em inflar sua base de usuários para só então procurar um modelo de sustentabilidade, ou ainda, se preocupou em oferecer conteúdo (serviço + usuários) que poderia ser vendido por bagatelas para grandes portais que não teriam dificuldades em continuar a oferecer o serviço gratuitamente (modelo este que o @ev, co-founder do Twitter, já possui um know-how considerável); de outro lado, web apps que procuraram logo de início garantir um modelo sustentável ao serviço (e não menos atraentes ao mega portais, diga-se de passagem).

Quem vai levar a melhor ainda não se sabe, só o tempo revelará. Espaço para dois ou mais modelos/serviços com certeza há, não são mutuamente excludentes, porém, eu diria, impraticável.

Conclusão
Toda essa discussão de modelos de sustentabilidade aqui ou acolá, preocupação que emergiu com o estouro da bolha das pontocons no final da década de 90/início de 00, e os rumores da nova bolha da web 2.0, traz-me a mente quase que instantaneamente a frase célebre de um economista que fez escola, cuja profundidade é tal, que às vezes pode levar um tempo até seu entendimento total e completo para só então descobrirmos que na verdade tudo é muito simples: não existe almoço grátis.

Adendo e o Eterno Retorno
A corrida por um ‘substituto’ do Twitter revelou outros serviços interessantes. Um deles é o Poodz, funciona no mesmo esquema do Twitter de follow/follower que permite ainda postar músicas, fotos e até vídeos. Outro, que sofreu uma invasão de brasileiros (principalmente depois do @fseixas dar um empurrãozinho), é o Plurk. Se explicar o que é o Twitter para pessoas que não estão ambientadas a ele já é uma tarefa difícil, explicar o Plurk então, é impossível. Para todos os efeitos, diga-se que é um microblogging cheio de firulas que também permite compartilhar vídeos e fotos.

Face ao exposto, a questão que fica é a seguinte: se o Twitter que é super simples, only text, sem muitos recursos não aguentou a pressão de muitos usuários, iriam esses ‘substitutos’ cheios de recursos suportar o que o Twitter não suportou? Ou daqui a um tempo estaremos nós aqui de novo reclamando de serviços mal projetados que não aguentam escalar?

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8 responses to “Twitter is down, a corrida pelo seu substituto, um case e o eterno retorno.

  1. Edgard Castro

    O problema do Twitter nao é o Rails. Linguagens (ruby, python, php,…) ou frameworks (rails, django, cakephp,…) nao escalam, o que escala é a maneira que se usa ela.

    Qualquer linguagem escala, qualquer servidor Core2Duo com Rails faz mais do que 400 req/s, isso, traduzindo daria mais de meio milhão de hits de aplicacao por servidor por dia — coisa que facilmente atenderia o Twitter.

    O Twitter é o 6o site na lista dos usuarios de Rails, maiores que ele e que tambem utilizam Rails existe o Yellowpages.com, a aplicacao Friends for Sale do Facebook, o Scribd, Hulu.com entre outros.

    A discussao de escalabilidade é longa e controversa, mas certamente nao é a linguagem ou framework o problema do Twitter.

  2. Salve Edgard!

    Eu li sobre esse lance do Rails não escalar em alguns lugares por aí por pessoas que se dizem entendidas, eu não entendo nada disso por isso deixei claro que deixo a discussão para especialistas. Aliás, estou muito grato pela sua explanação.

    O que eu queria enfocar mais no meu post era qual modelo sobreviverá: o sustentável ou o não-sustentável. Se é que algum irá sobreviver.

    Mas já que tocou no assunto, no seu ponto de vista, qual o problema que o twitter está enfrentando que resulta em quedas constantes?

    De qualquer forma, muito obrigado pelo comentário e volte sempre! =)

    Saudações,

  3. Luis,
    valeu a citação.
    Acho q o Twitter terá um êxodo um dia. Quase a totalidade de gente q está lá é aquele perfil q sempre procura novidades. Uma hora eles cansam e irão procurar algo novo.

    Mas, ainda não é o momento. Não existe algo realmente novo. Mudar do Twitter para o Jaiku é como mudar de calçada na mesma rua (frase q usei numa entrevista q fizeram comigo e foi publicada no Link, do Estadão).

    O Twitter murcha qdo descobrirem uma rua nova.

  4. Salve @gpavoni! hehe

    Grande comentário! É bem verdade o que disse sobre o perfil das pessoas no Twitter, talvez a única solução que resta para mantê-lo vivo é imputar-lhe um caráter dinâmico, mas sem fugir do essencial e de suas funcionalidades, grandes responsáveis pelo seu sucesso. Uma tarefa para lá de complicada, a bem da verdade, e que irá exigir maestria de seus fundadores. Impossível, porém, não é.

    Saudações,

  5. Edgard Castro

    LH,

    O problema do Twitter é que ele foi arquitetado de maneira errada. O que mostra mais uma vez que é necessario entender exatamente o que um site vai fazer e assim escrever uma especificacao correta antes dos desenvolvedores comecarem a trabalhar.

    No blog de desenvolvimento do Twitter mesmo eles comentam sobre esse detalhe. Ele foi feito como um website comum “CRUD” (create/red/update/delete) que é como a grande maioria dos sites de conteudo trabalha, mas o Twitter nada mais é do que um grande PABX, conectando “ligacoes” e entregando e recebendo mensagens, coisa que a arquitetura baseada em CRUD nao atende bem.

    Eles resolveram esse problema parcialmente a um tempo atras… Lembra que o Twitter raramente ficava no ar? Pois entao, eles implementaram um sistema de “messaging” no “backend” que melhorou muito, mas como o site nao foi feito desde o rascunho pensando nisso, ainda há muito o que ser feito.

    Neste post: http://tinyurl.com/6j6bex eles comentam exatamente esses pontos. Sobre a arquitetura errada, sobre o sistema de messaging e até que eles escolheriam o Rails novamente para os projetos.

    O Facebook quando implementou o sistema de chat deles, escalou de 0 para 70 milhoes de usuarios de um dia para o outro e sem problemas exatamente por isso — pq foi planejado como um sistema de “messaging” e eles utilizaram desse conhecimento para utilizar as tecnologias corretas — de maneira correta.

    Grande abraco!

  6. pow, edgard.. taí uma explicação q eu estava procurando. Será q não seria mais fácil começar um pjto do zero ou comprar um concorrente-clone q tenha sido melhor planejado? Não é mais fácil (custo-rapidez-benefício) do que tentar consertar o site atual?

    Ato ao fim do hype do Twitter, apesar de alguma fuga, eu tenho dúvidas. Há uma vantagem ainda inicial. Ele foi iniciador de uma categoria de comportamento na web. Isso o deixa com créditos para muitos usuários. Mas, isso não dura pra sempre.

    Outro entrave para uma fuga maior é o valor da rede construída. Sair de lá é fácil, levar os contatos (os bons) é muito complicado. E o valor de uma rede social é medida pelos contatos relevantes, principalmente os q vc segue (no caso do Twitter).

  7. Edgard Castro

    O problema é o mesmo da grande maioria das empresas de tecnologia na Internet hoje… Eles se esquecem que, fundamentalmente são empresas de tecnologia — não de conteúdo ou marketing e acabam economizando na contratação de pessoal de tecnologia qualificado em troca de RP, Marketing e afins. É um paradigma, porém, sem um não existe o outro. O time de engenharia do Twitter é pequeno e não teria tempo para cuidar do site atual e desenvolver um novo do zero, então eles fazem o que a grande maioria faz: vai substituindo os componentes aos poucos. Infelizmente enquanto isso, os usuários vão cansando e migrando de serviço.

    Não existe nenhum mistério para escalar o Twitter. É difícil? É. Mas com pessoal qualificado não tem mistério ou é impossível. Wall Street faz o que o Twitter faz há muitos anos e sem sequer um downtime. Imagina se os milhares de terminais que acompanham a bolsa (com uma enorme quantidade de “mensagens” por segundo), em tempo real, ficassem fora do ar por um minuto sequer? Seria o caos.

    As tecnologias que deveriam ser empregadas — CEP/ESP/PubSub, estão disponíveis para qualquer um, não é mistério e não precisa de estudo. Existe disponível no mercado equipamento (hardware/fpga) que processa mais de 10 milhões de mensagens por segundo, por um custo não tão elevado quanto imaginamos.

    Basta deixar de pensar com um site de hobby e “cool” pra comunidade e investir. Mas ai cai exatamente no que o post do LH fala… Qual o modelo de sustentabilidade do Twitter? Como fazer ele efetivamente gerar receita para se manter e crescer?

  8. Pingback: Errata #1 « éle.agá

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