Links 28.02.09

Mais uma rodada de artigos que acredito valer o clique. Uma espécie de clipping semanal. (Espero conseguir realizar isso toda semana).

1a. Enfim tomei coragem para ler os artigos do Nouriel Roubini — ou, Mr Doom para os íntimos. Começando com o clássico “The Worst Economic and Financial Crisis Since the Great Depression Reveals the Weaknesses of the Laissez Faire Anglo-Saxon Model of Capitalism” onde ele diz:

However, while this crisis does not imply the end of market economy capitalism it has shown the failure of a particular model of capitalism: the laissez faire unregulated (or aggressively deregulated) wild-west model of free market capitalism with lack of prudential regulation and supervision of financial markets and with the lack of proper provision of public goods by governments.

O artigo completo pode ser lido lá no site do RGE, onde Roubini é chairman (cadastro requerido) ou, para quem não estiver afim de preencher formulários, tem um copy and past no Google Docs;

1b. Continuando no RGE, há outro artigo interessante: “Three Top Economists Agree 2009 Worst Financial Crisis Since Great Depression; Risks Increase if Right Steps are Not Taken” de onde eu destaco o seguinte parágrafo:

Rogoff argued that the $790 billion stimulus bill agreed to this week is only part of the answer. “It’s like giving a blood transfusion while the patient is still bleeding,” he said. “If we’re not going to fix the banking system at the same time, then it’s just a temporary boost in the economy. We have simply not taken the proper decisive action with the banks.”

No mesmo molde do anterior, o link para o artigo no RGE e no GDocs;

1c. Para não ser repetitivo, o último Roubini da vez.

The subprime mortgage mess alone does not force our hand; the $1.2 trillion it involves is just the beginning of the problem. Another $7 trillion — including commercial real estate loans, consumer credit-card debt and high-yield bonds and leveraged loans — is at risk of losing much of its value. Then there are trillions more in high-grade corporate bonds and loans and jumbo prime mortgages, whose worth will also drop precipitously as the recession deepens and more firms and households default on their loans and mortgages.

E eu que achava que chamá-lo de Sr. 2012 Mr. Doom era exagero ou pura intriga da oposição. RGE / GDocs;

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2. Mas não é só Roubini e seu RGE que vêem maus tempos vindo. A Economist Intelligence Unit (The Economist) vê a necessidade de se rever as taxas de crescimento otimistas da nossa economia para os próximos anos:

This downturn in external conditions will further damage Brazil’s economic activity. Already, the most recent industrial, employment and other indicators point to a sudden and rapid decline in activity in Brazil, underscoring how falling commodity prices and shrinking global demand are fast impacting even the more resilient emerging-market economies.

O artigo completo aqui;

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3. Ainda na The Economist, um artigo que demonstra como a crise econômica global tem colocado em xeque a globalização e o perigo que isso representa. “Turning their backs on the world“;

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4. Mudando de assunto, mas não menos catastrófico — ou mais esperançoso –, Júlio Sergio chama a atenção para os valores (ou a ausência deles) da sociedade contemporânea. “A falta de ética e a falta de educação na vida podem ser corrigidas com umas ‘Boas Palmadas'” é o título do post dele no blog da HSM sobre o assunto onde, dentre outras verdades, ele diz:

É nítido e notório que há uma educação familiar falha, educação má conduzida pelos pais. Enxergo uma crise moral, cuja solução passa por uma educação em casa, por um tratamento psicológico intensivo e uma rejeição, inquestionável, por parte da sociedade à atitudes dessa natureza.

Eu subscrevo-o;

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5. Para descontrair, um vídeo musical inusitado do trio australiano “The axis of Awesome”: 4 chords — é uma espécie de medley que reúne um punhado de hits que possuem a mesma sequência de acordes (1º, 4º, 6º e 5º graus de uma escala maior qualquer). Outras músicas “sérias” deles podem ser encontradas no myspace da banda, já que o site oficial não diz muita coisa.

Por ora era isso. Comentários são bem-vindos.

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O caso “ditabranda”

Foi um sentimento meio paradoxal quando li em mais de dois blogs da minha blogroll sobre o caso ditabranda. O lado bom desse sentimento foi ver, de certa forma, o amadurecimento da blogosfera nacional, que é muito mais do que aquela umbigosfera que vive para atrair link e pagerank, e que há uma preocupação em trazer ao conhecimento público, pelo menos daqueles que os lêem, fatos e acontecimentos relevantes e sucitar discussões que nos façam sentir humanos.

O lado ruim é que o cerne da questão é justamente a velha e desonrada mídia brasileira, figurinha repetida cá neste humilde blog. Em poucas palavras, o fato da vez foi que a Folha, em um dos editoriais sobre a vitória da emenda chavista na Venezuela, amenizou a ditadura brasileira ao caracterizá-la de ditabranda. Posto isso, alguns historiadores mega renomados argumentaram que o jornal — no caso, o autor do editorial — se equivocou e que em nenhum momento da história a nossa ditadura fora denominada e nem teve propriedades de ditabranda.

A Folha, mui sensata e imparcial, classifcou os historiadores e seus apontamentos como “cínicos e mentirosos”. Isso foi mais que suficiente — e não sem razão — para enaltecer os ânimos de muitos historiadores que neste caso não estão defendendo apenas uma categoria, mas sim a integridade dos fatos — trabalho este que, a princípio, deveria ser exercido pela própria imprensa.

Foi o que aconteceu com Idelber Avelar, que além de esclarecer o que ditabranda significa — e que tem toda a notoriedade para –, aproveitou a situação e soltou o verbo contra a mídia nacional, seja Frias, Marinhos ou Civita. Quem também fez questão de falar sobre, e o fez com muita sensatez e presteza, foi Hugo Albuquerque no post “A Folha e a ditabranda” — que, por “incrível coincidência” havia postado uns dias antes “A caduquice precoce da imprensa“, vindo, infelizmente, só a complementar a discussão sobre a precariedade da nossa imprensa. Todos os links de imperdível leitura, a quem interessar possa.

// Em tempo, para ler o editorial que começou toda essa discussão, a carta dos professores à Folha e a resposta super educada do jornal, está tudo aqui.

Uma anedota

Sobre a possível estatização de bancos nos EUA, diz uma piada que Lenin morreu e foi para o outro lado (se para o céu, para o inferno ou para o purgatório, não se sabe).

No outro lado ele se encontrou com Deus.

Lenin, que não acreditava em Deus, fez a ele a seguinte pergunta: “Deus, quando é que o capitalismo vai finalmente acabar?”.

Deus respondeu: “Nunca!”.

Lenin então começou a chorar copiosamente. Entre um soluço e outro, Lenin fez outra pregunta a Deus: “Mas Deus, por que é que o capitalismo nunca vai acabar?”.

Deus respondeu: “Por que sempre vai haver o socialismo para salvá-lo!”

Nota: Piadas de economista nunca devem ser levadas a sério, com o perdão do trocadilho.

Vídeos que explicam a crise

1. O primeiro é for dummies à la Common Craft com dirieto a site e tudo.

Parte 1

Parte 2

2. O segundo é mais tragi-cômico — além de genial.

3. Piadas a parte, o terceiro é um documentário da PBS sobre a crise. “Inside the Meltdown”. Eu aconselho àqueles que querem entender melhor a crise, a salvar o link do vídeo no seu bookmark e separar uma hora para assisti-lo. Vale dizer,  enquanto de caráter jornalístico, o documentário não se porpõe a discutir as medidas tomadas, apenas um histórico completo dos fatos desde março/08.

Links

Alguns artigos/matérias/blog posts que li nessa semana e que, a meu ver, valem ser compartilhados. Em ordem aleatória

1. Samuel Palmisano, chairman da IBM, escreve no FT sobre a urgência não apenas de planos bilionários, mas sim de soluções inteligentes para a crise. Aqui.

2. É do saber de todos que Alan Greenspan perdeu bastante com essa crise, não digo em termos fiduciários, mas em notoriedade e prestígio no meio financeiro. Porém, ainda é o Greenspan. E anda dizendo por aí, contrariando todas as expectativas, que a estatização dos bancos pode ser a solução “menos ruim” do momento. O ex-presidente do Fed disse isso em uma entrevista ao FT, que também pode ser lida com comentários no Free Exchange ou na versão em português do Portal Exame.

3a. Desde que foi publicado em mídia nacional que o Brasil é campeão dos spreads bancários, a Febraban e seu presidente, Fábio Barbosa, têm trabalhado feito porcos para se justificarem. Aí eu me deparo com dois blog posts sobre o mesmo tema mas com abordagens um pouco diferentes. O primeiro é do José Paulo Kupfer que defende a explicação de Barbosa — com todo o cuidado para não defender os interesses dos bancos — e acusa o BC, dentre outras coisas, de oportunista ao posar como herói responsável pela consistência do nosso sistema bancário/financeiro diante da crise mundial quando a verdade não é bem essa. A explicação detalhada aqui.

3b. O outro é da Mirian Leitão, jornalista que de vez em quando se acha na posição de comentar assuntos que fogem ao seu labor. Em uma entrevista fraca, cai na mesmice de criticar Governo, BC e bancos. Olha o nosso jornalismo aí.

Sobre o caso Paula Oliveira

É tão bonito ver os jornais se retratando com o público após dar um furo que, aparentemente, não existiu. Das coberturas que acompanhei, a única que vale o clique é a do Sérgio Leo que desde o início enfatizou a parcimoniosidade do ministro Celso Amorim em procurar, antes de afirmar qualquer coisa e fazer julgamentos, apurar os fatos. A mídia em geral não entendeu, o que não é de se surpreender, e quando não colocaram palavras na boca do Ministro, o acusaram de descaso. Agora ficam aí procurando culpados e colocando supostos onde outrora eram fatos.

A Folha é insistente e procura chifre na cabeça de cavalos, como diria meu tio. Hoje publicou, logo abaixo da matéria em que dizia que o passaporte da brasileira fora bloqueado pela Suiça, que a revista onde foi noticiado que a brasileira teria admitido que tudo foi armação, é de propriedade de um alto escalão do SVP. O jornal parte do princípio que a mídia suíça é tão imparcial quanto a nossa.

Não estou defendendo aqui a revista, ou o partido, muito menos acusando a brasileira. O que procuro destacar é,com tudo isso, o que se pode observar é que nossa imprensa ainda é imatura e inconsequente. Que procura fazer pré-julgamentos de supostos quando tudo o que deveria fazer é apurar os fatos. Pelo menos já estão se ‘desculpando’, quero acreditar que isso seja um avanço.

Quote of the day

Antigamente as pessoas gastavam tempo para economizar dinheiro, hoje, elas gastam dinheiro para economizar tempo.

#minhacabeçaexpludiu

P.S.: Autor desconhecido, se alguém souber, por favor.