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Doce ironia, ou: A verdade inconveniente sobre o “dia sem imposto”

Peraí, vamos ver se eu entendi. Na verdade, quem pagou o imposto não cobrado pelos postos de gasolina no dia sem imposto — porque prejuízos os capitalistas não iam ter, obviamente — foram os mesmos caras que criaram o tal do imposto?!

Ah bom! Obrigado Luiz Nassif .

Ontem o Instituto Millenium, do Rio Grande do Sul, lançou a campanha “gasolina sem impostos”. Escolheram meia dúzia de postos no Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas. Eles vendem a gasolina sem cobrar a CIDE – que será paga pelo Instituto. A ideia é mostrar como o governo tunga os contribuintes com impostos.

A quantidade de postos era irrisória; os ecos na mídia, desproporcionais.

Fazem parte do Conselho de Governança do Instituto Gustavo Franco e alguns próceres da mídia, como Roberto Civita e João Roberto Marinho. O gestor do fundo patrimonial é Armínio Fraga. O Conselho Editorial é composto por Antonio Carlos Pereira – chefe dos editorialistas do Estadão – e do inacreditável Eurípedes Alcântara, da Veja.

A ironia da história é que a CIDE foi criada por um governo do qual faziam parte Gustavo Franco e Arminio Fraga.

É tudo sobre a razão

É tão bom ver suas concepções escritas por outros.

“Mesmo depois da crise que mostrou a capacidade do mercado de tomar decisões absurdas e suicidas por muito tempo, ainda encontro boas almas defendendo que a gestão estatal é, por definição, sujeita à corrupção, e o setor privado, por natureza é sempre mais eficiente. Não discuto. Religião é coisa que não se enfrenta com argumentos racionais.

Mas os fatos, às vezes escondidos em pé de página de alguns jornais, acumulam-se para atrapalhar quem tem uma visão estereotipada da vida. Ainda há de surgir um teórico bacana para mostrar por que não há vedades definitivas em ciências sociais, e que o conflito entre os interesses individuais e os coletivos sempre será mais complexo do que calcula a vã teoria economicista.”

Quem escreveu isso foi Sergio Leo. De certa forma, me envergonho de,  enquanto bacharel em Ciências Econômicas, ter que concordar com ele. Mas ao mesmo tempo, me sinto confortado de não ser o único a não entender a fidelidade a ideais sócio-econômicos como algo supremo, de não entender de como conseguem colocar a ideologia acima da racionalidade, perdendo assim todo o seu sentido. (E isso é mais que auto-explicativo etmilogicamente falando).

O post completo aqui.

(Neo-)Liberalismo vs. (Neo-)Keynesianismo

Este com certeza será um debate eterno na Economia. De um lado os que defendem a mão-invisível de Adam Smith, de outro, os que defendem o intervencionismo. Para aqueles que se interessam pelo assunto, encontrei meio que sem querer em algum canto da internet um artigo — com cara de trabalho científico — sobre o tema que desenvolve ambos os pensamentos.

Tenho como hábito salvar os textos que encontro pela internet em .rtf para ler depois com mais calma. O problema é que às vezes eu esqueço de salvar  a URL e com isso perder a referência. Já perdi muitos. Este foi mais um deles.

O trabalho está meio bruto, poderia ser trabalhado melhor, e em algumas partes é repetitivo. É bastante extenso, mas em compensação é rico em informações. Já vou avisando que o artigo, como todos que se preze, define uma posição. Baseado nos trabalhos de Stiglitz, defende que “a razão pela qual a mão invisível é invisível é por que ela não existe ou, quando existe, está paralítica”. Mas aborda (e, pelo que entendi, defende) ainda outras escolas mais recentes que tentam fundir o há de melhor nos dois mundos — se é que isso é possível –, como a Economia Social de Mercado [wkp] e o Ordoliberalismo [wkp].

Enfim, é leitura válida tanto para quem defende o intervencionismo — para enriquecer o embasamento do seu ponto de vista –, como para quem acredita na mão invisível — apontando as incongruências do modelo apresentado, consolidando assim, seu ponto de vista. Para os que ainda estão em cima do muro, a hora é agora! =)

Como o artigo é extenso, não vou postar aqui no blog. Deixo o link para quem quiser ler no google docs ou para baixar em .rtf (Tip: Abrir com/ aplicativo WordPad)

[GDocs | Download (via G.ho.st)]

Espero que seja útil. Comentários são sempre bem-vindos.

Links 28.02.09

Mais uma rodada de artigos que acredito valer o clique. Uma espécie de clipping semanal. (Espero conseguir realizar isso toda semana).

1a. Enfim tomei coragem para ler os artigos do Nouriel Roubini — ou, Mr Doom para os íntimos. Começando com o clássico “The Worst Economic and Financial Crisis Since the Great Depression Reveals the Weaknesses of the Laissez Faire Anglo-Saxon Model of Capitalism” onde ele diz:

However, while this crisis does not imply the end of market economy capitalism it has shown the failure of a particular model of capitalism: the laissez faire unregulated (or aggressively deregulated) wild-west model of free market capitalism with lack of prudential regulation and supervision of financial markets and with the lack of proper provision of public goods by governments.

O artigo completo pode ser lido lá no site do RGE, onde Roubini é chairman (cadastro requerido) ou, para quem não estiver afim de preencher formulários, tem um copy and past no Google Docs;

1b. Continuando no RGE, há outro artigo interessante: “Three Top Economists Agree 2009 Worst Financial Crisis Since Great Depression; Risks Increase if Right Steps are Not Taken” de onde eu destaco o seguinte parágrafo:

Rogoff argued that the $790 billion stimulus bill agreed to this week is only part of the answer. “It’s like giving a blood transfusion while the patient is still bleeding,” he said. “If we’re not going to fix the banking system at the same time, then it’s just a temporary boost in the economy. We have simply not taken the proper decisive action with the banks.”

No mesmo molde do anterior, o link para o artigo no RGE e no GDocs;

1c. Para não ser repetitivo, o último Roubini da vez.

The subprime mortgage mess alone does not force our hand; the $1.2 trillion it involves is just the beginning of the problem. Another $7 trillion — including commercial real estate loans, consumer credit-card debt and high-yield bonds and leveraged loans — is at risk of losing much of its value. Then there are trillions more in high-grade corporate bonds and loans and jumbo prime mortgages, whose worth will also drop precipitously as the recession deepens and more firms and households default on their loans and mortgages.

E eu que achava que chamá-lo de Sr. 2012 Mr. Doom era exagero ou pura intriga da oposição. RGE / GDocs;

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2. Mas não é só Roubini e seu RGE que vêem maus tempos vindo. A Economist Intelligence Unit (The Economist) vê a necessidade de se rever as taxas de crescimento otimistas da nossa economia para os próximos anos:

This downturn in external conditions will further damage Brazil’s economic activity. Already, the most recent industrial, employment and other indicators point to a sudden and rapid decline in activity in Brazil, underscoring how falling commodity prices and shrinking global demand are fast impacting even the more resilient emerging-market economies.

O artigo completo aqui;

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3. Ainda na The Economist, um artigo que demonstra como a crise econômica global tem colocado em xeque a globalização e o perigo que isso representa. “Turning their backs on the world“;

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4. Mudando de assunto, mas não menos catastrófico — ou mais esperançoso –, Júlio Sergio chama a atenção para os valores (ou a ausência deles) da sociedade contemporânea. “A falta de ética e a falta de educação na vida podem ser corrigidas com umas ‘Boas Palmadas'” é o título do post dele no blog da HSM sobre o assunto onde, dentre outras verdades, ele diz:

É nítido e notório que há uma educação familiar falha, educação má conduzida pelos pais. Enxergo uma crise moral, cuja solução passa por uma educação em casa, por um tratamento psicológico intensivo e uma rejeição, inquestionável, por parte da sociedade à atitudes dessa natureza.

Eu subscrevo-o;

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5. Para descontrair, um vídeo musical inusitado do trio australiano “The axis of Awesome”: 4 chords — é uma espécie de medley que reúne um punhado de hits que possuem a mesma sequência de acordes (1º, 4º, 6º e 5º graus de uma escala maior qualquer). Outras músicas “sérias” deles podem ser encontradas no myspace da banda, já que o site oficial não diz muita coisa.

Por ora era isso. Comentários são bem-vindos.

Uma anedota

Sobre a possível estatização de bancos nos EUA, diz uma piada que Lenin morreu e foi para o outro lado (se para o céu, para o inferno ou para o purgatório, não se sabe).

No outro lado ele se encontrou com Deus.

Lenin, que não acreditava em Deus, fez a ele a seguinte pergunta: “Deus, quando é que o capitalismo vai finalmente acabar?”.

Deus respondeu: “Nunca!”.

Lenin então começou a chorar copiosamente. Entre um soluço e outro, Lenin fez outra pregunta a Deus: “Mas Deus, por que é que o capitalismo nunca vai acabar?”.

Deus respondeu: “Por que sempre vai haver o socialismo para salvá-lo!”

Nota: Piadas de economista nunca devem ser levadas a sério, com o perdão do trocadilho.

Vídeos que explicam a crise

1. O primeiro é for dummies à la Common Craft com dirieto a site e tudo.

Parte 1

Parte 2

2. O segundo é mais tragi-cômico — além de genial.

3. Piadas a parte, o terceiro é um documentário da PBS sobre a crise. “Inside the Meltdown”. Eu aconselho àqueles que querem entender melhor a crise, a salvar o link do vídeo no seu bookmark e separar uma hora para assisti-lo. Vale dizer,  enquanto de caráter jornalístico, o documentário não se porpõe a discutir as medidas tomadas, apenas um histórico completo dos fatos desde março/08.

Links

Alguns artigos/matérias/blog posts que li nessa semana e que, a meu ver, valem ser compartilhados. Em ordem aleatória

1. Samuel Palmisano, chairman da IBM, escreve no FT sobre a urgência não apenas de planos bilionários, mas sim de soluções inteligentes para a crise. Aqui.

2. É do saber de todos que Alan Greenspan perdeu bastante com essa crise, não digo em termos fiduciários, mas em notoriedade e prestígio no meio financeiro. Porém, ainda é o Greenspan. E anda dizendo por aí, contrariando todas as expectativas, que a estatização dos bancos pode ser a solução “menos ruim” do momento. O ex-presidente do Fed disse isso em uma entrevista ao FT, que também pode ser lida com comentários no Free Exchange ou na versão em português do Portal Exame.

3a. Desde que foi publicado em mídia nacional que o Brasil é campeão dos spreads bancários, a Febraban e seu presidente, Fábio Barbosa, têm trabalhado feito porcos para se justificarem. Aí eu me deparo com dois blog posts sobre o mesmo tema mas com abordagens um pouco diferentes. O primeiro é do José Paulo Kupfer que defende a explicação de Barbosa — com todo o cuidado para não defender os interesses dos bancos — e acusa o BC, dentre outras coisas, de oportunista ao posar como herói responsável pela consistência do nosso sistema bancário/financeiro diante da crise mundial quando a verdade não é bem essa. A explicação detalhada aqui.

3b. O outro é da Mirian Leitão, jornalista que de vez em quando se acha na posição de comentar assuntos que fogem ao seu labor. Em uma entrevista fraca, cai na mesmice de criticar Governo, BC e bancos. Olha o nosso jornalismo aí.